top of page

O cão, o coelho e fazer o bem é bom?


Por J. Marins


Nossa crônica de hoje utiliza uma antiga fábula como história. Eram dois vizinhos. Um deles comprou um coelho para os filhos. Os filhos do outro vizinho também quiseram um animal de estimação, e seus pais compraram um filhote de pastor alemão.

Certo dia, o pai que comprou o coelho, conversando com os vizinhos donos do cão pastor alemão, disseram:

– Ele vai comer o coelho dos meus filhos.

Ao que, tranquilamente, os outros responderam:

– De jeito nenhum. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos e ‘pegar’ amizade!!!

O tempo passou. Tudo transcorria como os donos do cachorro previram. Tanto que os animais cresceram e se tornaram amigos. Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. O cão protegendo o coelho, e o coelho ajudando o pastor alemão a encontrar as coisas enterradas. As crianças de ambas as casas, felizes com os dois animais.

Eis que a família dona do coelho viajou num certo fim de semana, e não levaram o coelho. No domingo, pela tarde, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche tranquilamente, quando, de repente, entrou o pastor alemão com o coelho entre os dentes, imundo, sujo de terra e morto. Todos se assustaram. O cão levou uma tremenda surra. Quase mataram o cachorro de tanto agredi-lo.

Dizia o homem:

– O vizinho dono do coelho estava certo!

Sua mulher, desesperada, dizia:

- Mais algumas horas e os vizinhos vão chegar. E agora?!

Todos se olhavam. O cachorro, coitado, chorando lá fora, lambendo os seus ferimentos,

– Já pensou como ficarão as crianças do nosso vizinho, quando souberem o que aconteceu?

Não se sabe exatamente quem teve a ideia, mas alguém disse:

– Vamos lavar o coelho, deixá-lo limpinho, depois a gente seca com o secador e o colocamos na sua casinha. Quando chegarem, não perceberão nada, e ao descobrirem que morreu, não vão saber o que aconteceu.

E assim fizeram. Até perfume colocaram no coelho, que ficou lindo. Parecia vivo.

Logo depois, ouviram os vizinhos chegarem. Em alguns minutos, os gritos ecoaram. Na casa dos donos do cão, o pai murmurou com a mulher:

– Descobriram!

Não passaram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma. O dono do cão, tentando parecer o mais natural possível, abriu a porta e disse:

– O que foi?! Que cara é essa?

– O coelho, o coelho…

– O que tem o coelho?

– Morreu!

– Morreu? Ainda hoje à tarde parecia tão bem.

– Morreu na sexta-feira!

– Na sexta?!

– Foi. Antes de viajarmos, as crianças o enterraram no fundo do quintal e agora ele reapareceu.Ainda morto, mas todo limpo!

A história termina aqui. O que aconteceu depois fica para a imaginação de cada um de nós. Mas o grande personagem desta história, sem dúvida alguma, é o cachorro que queria fazer o bem ao amigo coelho.

Imaginem o coitado, desde sexta-feira procurando em vão pelo seu amigo de infância. Depois de muito farejar, descobriu seu amigo coelho morto e enterrado.

O que fez ele? Provavelmente com o coração partido, desenterrou o amigo e foi mostrar para seus donos, imaginando que o fizessem ressuscitar.

Que lição se deve tirar dessa história? Nós, humanos, julgamos demais os outros, seja pela aparência, seja por qualquer outra coisa que não entendemos.

A segunda lição que podemos tirar desta história é que o ser humano tem a tendência de julgar os fatos sem antes verificar o que, de fato, aconteceu.

Quantas vezes tiramos conclusões erradas das situações e nos achamos donos da verdade?

A terceira lição tão importante quanto as outras: faça sempre o bem, mesmo que seja incompreendido, sem esperar respostas positivas a seu favor. Quantas vezes somos injustos e avaliamos equivocadamente uma situação? Quantas vezes você se comporta bem com alguém e com a família dessa pessoa, e, num momento de crise entre você e essa pessoa, em vez de receber o reconhecimento por quem você é e pelo que fez, você se surpreende com atitudes que em vez de resolver o conflito, buscam afastar você da pessoa que você tanto apoiou?

Na minha terra, a Bahia, os mais antigos diziam que para conhecer uma pessoa basta lhe dar dinheiro, alimento e lhe fazer o bem, pois, logo em seguida, assim que essa pessoa colocar o dinheiro no bolso, a comida na barriga e seguir adiante, se não for justa com você, essa pessoa vai mostrar quem é de verdade.

Histórias como essa, são para pensarmos bem nas atitudes que tomamos com quem nos faz bem, com quem nos apoiou, com quem nos ama.

Às vezes, fazemos o mesmo.

Mas, permaneçamos fazendo o bem. Isso é o que importa. Mesmo se as respostas não forem aquelas que esperamos. Acredite, quem não faz o bem ou é injusto com quem lhe fez o bem, certamente não dorme bem e sente vergonha ao se olhar no espelho e lembrar do quanto deixou de fazer com quem lhe apoiou todo o tempo.

Façamos o bem e amemos sempre! Isso faz bem, creia!

Até a próxima crônica.


Sou J. Marins, escritor, jornalista, palestrante, sociólogo, juiz federal do trabalho e co-fundador do Movimento Libertologia e criador da Ciência da Liberdade. Contate-me e saiba mais sobre meus cursos, treinamentos e livros. Terei prazer em lhes responder.



www.movliber.org

43 visualizações0 comentário

Posts