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Distinga a oportunidade diante de uma banheira cheia de água


Valho-me de um velho dito popular referente ao conto do hospício municipal, de autoria desconhecida, para ilustrar, como pano de fundo, a crônica de hoje. Façamos de conta que estamos na metade final do século XIX, na verdade, nos seus estertores, e, por alguma razão ficta, você precisou comparecer ao manicômio da cidade, onde existia uma vaga aberta para um trabalho, digamos, razoável, com uma remuneração acima de 9 mil contos de réis (a moeda da época) e inúmeros benefícios, como alimentação, folga semanal remunerada, bolsa estudo, auxílio vestimenta entre outros.

Bem, ao chegar você é recebido na porta pelo próprio diretor, um sujeito barbudo, alto, portando um par de óculos estranho e com um cavanhaque tão bem cuidado como se tivesse acabado de sair do salão.

Ele o recebe galhardamente e lhe apresenta o estabelecimento. Você sente arrepios ao passar pela ala das celas, onde ficam os loucos mais recalcitrantes, fica em pavorosa quando escuta os gritos de internos, que buscavam fugir pela enésima vez, e, enfim, apalpa o próprio ventre, sentindo espasmos, ao perceber a oscilação da iluminação, imaginando que isso decorria dos choques elétricos aplicados em mais um daqueles desditosos pacientes.

Após essa volta pelo estabelecimento, finalmente, você está na sala do diretor para os ajustes finais. O ambiente é amorfo e ligeiramente desorganizado, com pequenos bustos sobre armários e dezenas de livros antigos debruçados em cima de mesas de madeira escura. No entanto, o fato curioso fica para o final.

O diretor traça as diretrizes do cargo, condicionando a sua aprovação para ele. Você se sente pronto para vencer qualquer condição, afinal, seu currículo é bom, e tão bom quanto ele são os seus nervos, perfeitamente intactos, incólumes e inteiros aos gritos, sussurros e ambientes hostis daquele lugar.

Mas, qual seria a condição? Ele responde:

- Uma simples resposta.

- A quê?

- Bem - diz ele. - se nessa sala existisse uma banheira cheia de água, você a esvaziaria com uma colher, com uma xícara ou com um balde?

Em seguida, ele lhe exibe a colher, a xícara e o balde, retirando os objetos do armário. Logicamente, você nem titubearia e diria incontinenti:

- O balde.

Lamento informar, mas em seguida o diretor mandaria os assessores levarem você para a ala dos loucos, e dentro da camisa de força. Não, não negue. Você, que lê esse texto, também pensou no balde, não foi mesmo? Ah, que pena. Você passaria uma boa temporada internado, sob choques e sabe-se lá mais o quê.

O diretor, sorridente, enquanto você era levado embora, lhe diria em alto e bom som a resposta certa:

- Qualquer pessoa sã esvaziaria a banheira retirando a tampa de saída da água!

Moral da história: abra bem sua mente, pois existem oportunidades e facilidades muito mais vantajosas do que aquelas que teimam em lhe ficar à vista.


Sou J. Marins, cofundador do Movimento Libertologia e criador da Ciência da Liberdade. Até nosso próximo encontro.


J. Marins é escritor, professor, jornalista, sociólogo e juiz federal do trabalho, e conta com mais de 30 anos de experiência como palestrante, ministrando cursos e treinando pessoas em todo o país, pelo MovLiber.Org, levando-lhes conhecimento e as técnicas da Oratória Impactante, da Media Training Influente, e da elevação da autoestima e reestruturação do QI por meio das dinâmicas do Life Makeover.

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